sábado, 27 de outubro de 2012

A propósito de uma resposta editorial...

 José Edmar Arantes Ribeiro

Foi publicado no "Especial" do n. 271 da revista eletrônica O Consolador, de 29/07/12, um artigo de Alexandre Fontes da Fonseca denominado "Estaria o Espiritismo ultrapassado?... Ou muito na frente?" (aqui), do qual tomei conhecimento na noite do dia 08/10 do corrente. Discordando completamente da maneira como o autor conduziu sua argumentação (argumentação?) nas duas últimas seções do texto, enviei então para publicação, por volta de 1:45 da madrugada de 09/10/12, através do campo adequado para tal, que se encontra abaixo do artigo, o seguinte comentário:

O texto de Alexandre Fontes da Fonseca (http://www.oconsolador.com.br/ano6/271/especial.html), conquanto tenha sido bem direcionado na introdução e nas duas primeiras seções, resvala para um elitismo pífio e infundado nas duas últimas. Vejamos...

1- O autor intitula a 3a. seção de seu texto de "O Espiritismo é a única doutrina que possui duplo caráter". Ora, para se dizer que certa doutrina seja ÚNICA em alguma coisa, é preciso que se conheça muito bem TODAS as outras. Sinceramente, não acredito que Alexandre conheça o MÍNIMO RAZOÁVEL de doutrinas diversas da que ele chama de "Espiritismo";

2- O autor insiste que o Espiritismo teria o caráter de uma revelação científica, repetindo, com Kardec, que "o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental". Ora, mas não basta dizer que o método experimental foi empregado, é preciso mostrar que isto de fato aconteceu! De minha parte -- e não estou sozinho nisto, pois Flammarion pensava o mesmo, conforme pode ser visto em http://topicosespiritas.blogspot.com.br/2011/06/o-cientista-flammarion-e-ciencia-de.html -- não considero que Kardec tenha feito emprego eficiente do método experimental;

3- Na mesma 3a. seção, Alexandre coloca as obras psicografadas por Francisco C. Xavier, Divaldo P. Franco e J. Raul Teixeira, por exemplo, como algo À PARTE do Espiritismo. Isto, no entanto, confronta com a comemoração do autor, no início do texto, quanto ao "bom andamento das atividades de divulgação do Espiritismo", que ele deduziu, com base no último censo (2010), do crescimento no número de espíritas a uma taxa acima da do crescimento da população brasileira. Sim, porque, se *o Espiritismo de Alexandre Fontes da Fonseca* não comporta as informações trazidas pelas obras dos médiuns supramencionados, certamente não pensa o mesmo boa parte dos que se declararam "espíritas" ao Censo 2010, e portanto o autor não teria motivos para o comemorar o "bom andamento das atividades de divulgação do Espiritismo" com base no Censo, uma vez que os dados deste não nos possibilita dizer se houve crescimento percentual no número de adeptos do Espiritismo "alexandrino";

4- Por ter um aludido caráter "revelatório" duplo, divino e científico, na 4a. e última seção de seu texto, Alexandre afirma que o Espiritismo DEMONSTRA, assim, estar NA FRENTE de todas as outras doutrinas espiritualistas. Custa-me acreditar que tal afirmação tenha vindo de uma pessoa com anos de estudos em Ciências Exatas... Ora, além de ser mera SUBJETIVIDADE a consideração de que uma doutrina, pelo simples fato de ser a única com caráter "revelatório" duplo, esteja por isso NA FRENTE de todas as outras, o caráter de "revelação científica" do Espiritismo não foi reconhecido nem mesmo por um dos principais integrantes da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, Camille Flammarion! (Vide item 2, acima.);

5- O autor termina seu texto comentando uma famosa afirmação do Espírito Erasto: "É melhor repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea". De fato! E seria muito bom que Alexandre começasse a vivenciar realmente tal ensinamento, iniciando pela verificação das premissas que toma por base para escrever seus textos...

Como no dia 19/10/12 o editor da revista, Sr. Astolfo O. de Oliveira Filho, entrou em contato comigo comunicando que um outro comentário meu (enviado para ele, não para publicação na revista) seria publicado no próximo número de O Consolador, aproveitei para perguntar-lhe por que o comentário acima não havia ainda sido publicado. Em resposta, o editor informou-me que não tinha recebido o comentário, solicitando então que eu o enviasse diretamente a ele, através do endereço de e-mail com o qual estava a se comunicar comigo. Assim o fiz, no mesmo dia 19/10/12, e ficou então acordado que meu comentário seria publicado na próxima edição da revista (número 284, de amanhã, 28/10/12).

De fato, ele será publicado na edição de amanhã de O Consolador, na seção de "Cartas" da revista, mas como virá anexado de uma "resposta" que, além de não esclarecer absolutamente nada, mostra-nos, dentre outras coisas, que Alexandre Fontes da Fonseca nem mesmo se deu ao trabalho de ler com atenção a referência que fornecemos em nosso comentário transcrito acima, preferindo ignorar a opinião de Camille Flammarion quanto às reuniões que aconteciam na Sociedade Parisiense Estudos Espíritas (dirigida por Allan Kardec), estamos a dar prosseguimento ao debate neste blog, para que o leitor não tenha que esperar por uma semana para que as coisas sejam postas em seus devidos lugares. Além disso, o ambiente de blogs é muito mais favorável ao reto debate, quando não dirigido por administradores censores (infelizmente, há muitos deles no movimento espírita, e denúncias serão feitas aqui -- aguardem!), pois permite que autores e leitores dialoguem de forma equânime e em tempo real, o que, infelizmente, não é permitido na revista O Consolador, onde não só os leitores têm de esperar pelas próximas edições para verem seus comentários publicados (e ainda assim acontecem problemas, conforme informado acima), como os comentários podem aparecer com observações do autor do texto comentado pospostas -- mesmo ele não sendo o próprio Editor ou algum membro do Conselho Editorial da revista --, privilegiando assim, ao menos temporalmente, o seu ponto de vista, o que não nos parece ter qualquer razão de ser.

Vejamos então abaixo a Resposta do Editor à minha "Carta":

O confrade Alexandre Fontes da Fonseca, autor do texto mencionado na carta acima, enviou-nos a seguinte resposta às observações feitas pelo leitor:

“Em resposta às críticas do Sr. José Edmar A. Ribeiro, primeiramente eu gostaria de agradecer-lhe pela sinceridade das opiniões emitidas. A seguir exponho meus pensamentos sobre os pontos da crítica.

Sobre o ponto número 1, basta que alguém forneça uma contraprova de que existe uma doutrina espiritualista cujo desenvolvimento possui o duplo caráter de uma revelação, para demonstrar o erro da afirmativa de que o Espiritismo é o único que possui esse duplo caráter. Na falta dessa contraprova, ficamos com a afirmativa do texto.

Sobre o ponto número 2, inicialmente, creio ser relevante citar as seguintes referências a respeito da excelência metodológica do Espiritismo: http://www.geeu.net.br/artigos/ exemet.htmlhttp://www.geeu.net.br/artigos/ciespi.htmlhttp://www.geeu.net.br/artigos/paresp.htmlhttp://www.geeu.net.br/artigos/quest.htmEu considero essas referências as mais importantes sobre a questão filosófica do caráter científico do Espiritismo. Se alguém não as considera como tal, eu respeito e encerro o debate aqui pois não se pode impor opiniões a ninguém.

Creio que a citação dos comentários de Flammarion não servem de demonstração de que Kardec não houvera utilizado métodos científicos adequados na investigação dos fenômenos espíritas. Em uma biografia apresentada no grupo de estudos da Associação Espírita Célia Xavier em 25/04/98, o Autor da mesma demonstra que Flammarion teve suas incertezas e que questionava o excesso da postura religiosa de alguns espíritas com relação às comunicações mediúnicas. Entretanto, a seriedade de Kardec está justamente em ter tido uma grande consideração pelo jovem e crítico Flammarion (outro o teria repelido). Carlos Imbassahy (Religião. Rio de Janeiro: FEB, 1951, p. 111-112) considera que Flammarion procurou equacionar as questões do espírito dentro de métodos científicos que ele conhecia: ‘Ora, Flammarion é um simples cientista, que só no último quartel de suas experiências admitiu a comunicabilidade dos mortos. Não se trata, nunca se tratou de um doutrinador. A Ciência para ele era tudo. A certeza de que o fenômeno psíquico era devido à alma dos defuntos custou-lhe uma existência de trabalhos, de lutas, de verdadeira violência às suas antigas convicções.’ Por fim, o fato de Flammarion, em seu discurso durante o sepultamento de Kardec, ter dito publicamente que ‘Allan Kardec era o que eu chamarei simplesmente o bom senso encarnado. Raciocínio reto e judicioso, aplicava, sem esquecer, à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum.’ Ora, se Flammarion, com todo o seu rigor, assim se expressa após conviver anos com Kardec, é porque ele reviu seus primeiros pensamentos e não tem dúvidas sobre o mérito de Kardec.

Sobre o ponto número 3, a afirmação de que o conteúdo das obras do Chico, Divaldo, Raul e outros médiuns, simplesmente não possuem o duplo caráter de uma revelação e, portanto, não podem formar uma doutrina com o mesmo mérito do Espiritismo, não põe seus conteúdos à parte do Espiritismo, já que a maioria desses conteúdos estão de acordo, desenvolvem e ilustram diversos dos conceitos espíritas. Apenas ressalto que com relação a conceitos novos, diferentes, ou divergentes do que ensina o Espiritismo, contidos nessas obras ou em outras, devem ser rejeitadas até que sejam feitas os devidos trabalhos de pesquisa que permitam comprovar a validade dos mesmos. Aliás, cumpre lembrar que quem disse para fazer isso foi o próprio Emanuel que disse ao Chico que entre ele e o Espiritismo, que o Chico escolhesse o Espiritismo. Quem sou eu para dizer e recomendar diferente?

Sobre o ponto número 4, deixo claro que dentro do meu entendimento de Filosofia, Ciência e Espiritismo, minhas conclusões estão corretas. Mas, nada impede alguém ter uma contraprova como disse acima. Até que isso ocorra, o Espiritismo é a única doutrina que possui duplo caráter de uma revelação e nesse aspecto está à frente das outras doutrinas espiritualistas. Num momento
em que estamos vendo doutrinas surgirem no movimento espírita que, baseadas em conceitos da Física Moderna, por exemplo, vem propondo novos métodos e práticas consideradas melhores que o Espiritismo para as tarefas mediúnicas, creio ser importante para a fé espírita perceber que essas doutrinas passam bem longe do critério mínimo de validade de uma revelação, ajudando assim a reforçar a fé espírita no Espiritismo.

Sobre o ponto número 5, entendo que a recomendação de Erasto só deve ser aplicada a ideias e conceitos novos que não podemos analisá-los com profundidade. Nisso, afirmo ao leitor que, com relação às minhas premissas, para mim elas estão muito bem embasadas (vide referências acima) e, portanto, não carecem de aplicação da recomendação de Erasto. Acho oportuno comentar que o fato dessas premissas serem verdades bem estabelecidas para mim, não obriga o leitor a também considerá-las assim. Eu, como cientista e espírita, recomendo essas referências como bases filosóficas para o valor e caráter científicos do Espiritismo. Mas, não podendo impor isso ao (à) leitor(a), me resta sugerir a ele(a) que estudem-nas e só aceitem e tomem para si o que realmente lhes pareçam sensato e de acordo com seus princípios de certo e errado.”

Comentarei estas observações por trechos, que serão numerados.

1- Sobre o ponto número 1, basta que alguém forneça uma contraprova de que existe uma doutrina espiritualista cujo desenvolvimento possui o duplo caráter de uma revelação, para demonstrar o erro da afirmativa de que o Espiritismo é o único que possui esse duplo caráter.  Na falta dessa contraprova, ficamos com a afirmativa do texto.

Bem, fica claro que Alexandre não leu com atenção minha observação número 1, ou, se leu, não entendeu. Reproduzo-la:

1- O autor intitula a 3a. seção de seu texto de "O Espiritismo é a única doutrina que possui duplo caráter". Ora, para se dizer que certa doutrina seja ÚNICA em alguma coisa, é preciso que se conheça muito bem TODAS as outras. Sinceramente, não acredito que Alexandre conheça o MÍNIMO RAZOÁVEL de doutrinas diversas da que ele chama de "Espiritismo".

Ou seja, neste ponto eu não estava ainda a tratar do aludido "duplo caráter único" do Espiritismo, o que só fiz a seguir, mas apenas a ressaltar o CUIDADO que devemos ter ao afirmar que alguma coisa seja ÚNICA em determinado aspecto.

2.1- Sobre o ponto número 2, inicialmente, creio ser relevante citar as seguintes referências a respeito da excelência metodológica do Espiritismo: http:// www.geeu.net.br/artigos/exemet.htmlhttp://www.geeu.net.br/artigos/ciespi.htmlhttp://www.geeu.net.br/artigos/paresp.htmlhttp://www.geeu.net.br/artigos/quest.htm. Eu considero essas referências as mais importantes sobre a questão filosófica do caráter científico do Espiritismo.

Se as referências fornecidas são as mais importantes sobre um aludido caráter científico do Espiritismo, não sei. Só sei que há problemas nelas, e muitos! Dos 3 primeiros artigos "linkados", há judiciosas observações aqui: http://www.criticandokardec.com.br/ chibeni.htm. E o outro texto cujo link foi fornecido apresenta, também, não poucos problemas, e mereceria uma análise.

2.2- Creio que a citação dos comentários de Flammarion não servem de demonstração de que Kardec não houvera utilizado métodos científicos adequados na investigação dos fenômenos espíritas.

Ora, se os comentários de Flammarion em um capítulo de uma sua obra publicada em 1907 todo dedicado às suas experiências no "Grupo de Allan Kardec" e com médiuns da época (vide aqui) não servem de demonstração de que Kardec não houvera utilizado métodos científicos adequados na investigação dos fenômenos espíritas (observem que em momento algum falei em demonstração, pois, ao contrário de Alexandre Fontes da Fonseca, sei muito bem das diferenças entre demonstrações, evidências, indícios, opiniões e achismos), ignorá-los, por outro lado, seria dar prova rascante de "fanatismo kardecista"!

Então, seguem reproduzidos abaixo três trechos do capítulo citado. Acredito serem suficientes para deixar claro o que pensava o astrônomo francês das experiências nas quais tomou parte na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas ("Grupo de Allan Kardec"):

"Os membros se reuniam todas as sextas-feiras à noite na sala de reuniões da sociedade, no pequeno corredor de Santa Ana, que era colocada sob a proteção de São Luís. O presidente abria a sessão por uma "invocação aos bons espíritos". Era admitido, como princípio, que os espíritos invisíveis estavam presentes ali e revelavam-se. Após esta invocação, certo número de pessoas, sentado em uma grande mesa, era rogado a abandonar-se à inspiração e escrever. Estas pessoas eram chamadas de "médiuns escreventes". Suas dissertações eram posteriormente lidas diante de uma atenta plateia. Não havia experiências físicas de mesas girantes ou mesas movendo-se ou falando. O presidente, Allan Kardec, disse que não dava valor a essas coisas. Parecia-lhe que as instruções transmitidas pelos espíritos deveriam formar a base de uma nova doutrina, de uma espécie de religião."

"Nessas reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, eu escrevi por minha parte algumas páginas sobre assuntos astronômicos assinando "Galileu". As comunicações permaneceram em posse da sociedade, e em 1867 Allan Kardec publicou-as sob o título Uranografia Geral, em sua obra intitulada Gênese(Eu tenho preservado um dos primeiros exemplares, com sua dedicatória.) Estas páginas astronômicas nada ensinaram-me. Então não demorei a concluir que elas eram apenas o eco do que eu já conhecia, e que Galileu não tinha mão nelas. Quando escrevi as páginas, estava em uma espécie de sonho acordado. Além disso, minha mão parava de escrever quando eu começava a pensar em outros assuntos."

E, referindo-se justamente a estas "escritas com a mão", o primeiro de três métodos anteriormente mencionados, diz Flammarion:

"O primeiro desses métodos foi o único empregado na Sociedade de Estudos Espíritas, da qual Allan Kardec era presidente. Tal método dava margem à maior dúvida. De fato, no final de dois anos de investigações deste tipo, que eu tinha variado tanto quanto possível, e as quais eu tinha iniciado sem qualquer ideia preconcebida a favor ou contra, e com o desejo mais ardente de alcançar a verdade, cheguei à conclusão positiva de que não apenas as assinaturas daqueles papeis não eram autênticas, mas que a intervenção de outra mente do mundo do espírito não estava provada de modo algum, o fato sendo que nós próprios somos os autores mais ou menos conscientes das comunicações, por algum processo cerebral que ainda aguarda para ser investigado. A explicação não é tão simples como parece, e há algumas reservas a serem feitas na colocação geral acima."

2.3- Em uma biografia apresentada no grupo de estudos da Associação Espírita Célia Xavier em 25/04/98, o Autor da mesma demonstra que Flammarion teve suas incertezas e que questionava o excesso da postura religiosa de alguns espíritas com relação às comunicações mediúnicas.

Sim, Flammarion, de fato, questionava o excesso de postura religiosa de alguns espíritas com relação às comunicações ditas mediúnicas, como Allan Kardec... (Vide acima.) Se incertezas ele as teve, não me consta que, quanto a este ponto, tenha mudado de opinião.

2.4- Carlos Imbassahy (Religião. Rio de Janeiro: FEB, 1951, p. 111-112) considera que Flammarion procurou equacionar as questões do espírito dentro de métodos científicos que ele conhecia: ‘Ora, Flammarion é um simples cientista, que só no último quartel de suas experiências admitiu a comunicabilidade dos mortos. Não se trata, nunca se tratou de um doutrinador. A Ciência para ele era tudo. A certeza de que o fenômeno psíquico era devido à alma dos defuntos custou-lhe uma existência de trabalhos, de lutas, de verdadeira violência às suas antigas convicções.’

Ora, Alexandre Fontes está querendo enganar a quem? O trecho citado não endossa a consideração que o antecede, ou seja, que Carlos Imbassahy teria considerado que "Flammarion procurou equacionar as questões do espírito dentro de métodos científicos que ele conhecia". A ideia transmitida é que "Flammarion procurou equacionar as questões do espírito dentro de métodos científicos". E só! Referindo-se a "métodos científicos que ele conhecia", Alexandre intentou transmitir a ideia de que, para Imbassahy, o astrônomo francês desconhecia algum método científico vigente à sua época, como que a induzir o leitor a pensar que Flammarion não assimilara o "método científico" de Kardec...

2.5- Por fim, o fato de Flammarion, em seu discurso durante o sepultamento de Kardec, ter dito publicamente que ‘Allan Kardec era o que eu chamarei simplesmente o bom senso encarnado. Raciocínio reto e judicioso, aplicava, sem esquecer, à sua obra permanente as indicações íntimas do senso comum.’ Ora, se Flammarion, com todo o seu rigor, assim se expressa após conviver anos com Kardec, é porque ele reviu seus primeiros pensamentos e não tem dúvidas sobre o mérito de Kardec.

Aqui, o autor chega ao ápice da sua desonestidade intelectual. Ora, as palavras de Flammarion NÃO indicam que ele teria então revisto seus pensamentos, já muito bem firmados, sobre a ineficiência dos métodos empregados por Kardec no estudo dos fenômenos espíritas. Para se constatar a real posição do astrônomo francês àquela época sobre isso, leia-se, por exemplo, este trecho das suas Memóires biographiques et philosophiques d'un astronome (1911) cuja tradução está disponível aqui:

"Em 31 de março de 1869, o chefe da escola espírita, Allan Kardec, morreu subitamente, aos 65 anos, e em 2 de abril seria sepultado no cemitério do Norte. Relatei mais acima como havia entrado em relações com ele no mês de novembro de 1861. Embora meu trabalho não me permitisse nenhuma assiduidade às reuniões da sociedade espírita da qual ele era o presidente-fundador, o comitê dessa sociedade convidou-me, em seu nome e no de Madame Allan Kardec, para presidir as exéquias civis e pronunciar um discurso. Eu estava me mantendo à distância desde algum tempo sobretudo, não admitindo que o espiritismo pudesse ser a base de uma religião antes que os fenômenos fossem cientificamente demonstrados e explicados. Contudo, rendi-me a tão honorável convite... (...) O Comitê me propôs suceder Allan Kardec como presidente da Sociedade Espírita. Recusei, sabendo que nove entre dez de seus discípulos continuariam a ver ali, durante ainda muito tempo, uma religião, em vez de uma ciência, além do que a identidade dos "espíritos" está longe de ser provada. Quarenta anos se passaram desde então. Os seguidores de Allan Kardec pouco mudaram sua fé; a maior parte recusa ainda a análise científica, única que poderia nos esclarecer exatamente". (Grifos meus)

Está evidente, pois, que, já antes de 1869, Flammarion era da opinião de que os fenômenos espíritas não estavam cientificamente demonstrados.

E que Alexandre Fontes não venha a dizer que não sabia disso, pois que tal "ignorância" seria mera conveniência. A postura de Flammarion quanto a este ponto fica clara não só da referência que forneci em meu comentário transcrito no início deste texto, que aparecerá na seção de "Cartas" da revista O Consolador de amanhã seguido destas observações que estou a comentar, como do próprio trecho que Alexandre transcreveu do livro ReligiãoVejam (grifo meu):

"Ora, Flammarion é um simples cientista, que só no último quartel de suas experiências admitiu a comunicabilidade dos mortos. Não se trata, nunca se tratou de um doutrinador. A Ciência para ele era tudo. A certeza de que o fenômeno psíquico era devido à alma dos defuntos custou-lhe uma existência de trabalhos, de lutas, de verdadeira violência às suas antigas convicções." (Religião. Rio de Janeiro: FEB, 1951, pp. 111-112)

Agora me expliquem: como é que, tendo citado como merecedor de crédito este trecho (onde está dito que só no último quartel de suas experiências, portanto, muitas décadas após a morte de Kardec, Flammarion admitiu a comunicabilidade dos mortos), Alexandre Fontes da Fonseca ainda foi capaz de afirmar, depois, que o astrônomo francês, já em seu discurso durante o sepultamento de Kardec, mostrava ter revisto seus pensamentos sobre a ineficácia dos métodos empregados pelo pedagogo para a demonstração da referida comunicabilidade? Só alguém muito CEGO em suas crenças prestar-se-ia a um "papelão" desses...

Além disso, importante também ressaltar: o mérito de Kardec reconhecido por Flammarion durante seu discurso à beira da sepultura do pedagogo francês foi devido "ao eminente serviço que o autor de O Livros Espíritos prestou à filosofia". Que fique bem claro isso! (Leiam o discurso.)

3.1- Sobre o ponto número 3, a afirmação de que o conteúdo das obras do Chico, Divaldo, Raul e outros médiuns, simplesmente não possuem o duplo caráter de uma revelação e, portanto, não podem formar uma doutrina com o mesmo mérito do Espiritismo, não põe seus conteúdos à parte do Espiritismo, já que a maioria desses conteúdos estão de acordo, desenvolvem e ilustram diversos dos conceitos espíritas.

Sobre o aludido caráter científico do Espiritismo, que o faria então uma doutrina com caráter "revelatório" duplo, veja-se os itens 2.1 e 2.2 deste texto. Agora, em que pese Alexandre Fontes ter afirmado acima que os conteúdos das obras de Chico Xavier, Divaldo Franco e Raul Teixeira, em sua maioria, "estão de acordo, desenvolvem e ilustram diversos conceitos espíritas", ele colocou, sim, na 3a. seção de seu artigo, as obras de cada um dos médiuns mencionados como algo à parte do Espiritismo! Basta ver o que Alexandre entende por "Espiritismo" lá, o que pode ser constatado da leitura da referência [12] fornecida na seção mencionada -- um artigo que, diga-se de passagem, é ainda pior que o que comentamos. Ficará então claro que obras mediúnicas obtidas por médiuns isoladamente não entram no corpus do "Espiritismo" como o entende Alexandre Fontes da Fonseca.

3.2- Apenas ressalto que com relação a conceitos novos, diferentes, ou divergentes do que ensina o Espiritismo, contidos nessas obras ou em outras, devem ser rejeitadas até que sejam feitas os devidos trabalhos de pesquisa que permitam comprovar a validade dos mesmos.

Não devemos rejeitar nada. Rejeição apriorística não é e nunca foi atitude científica, e mesmo conceitos diferentes e divergentes dos apresentados nas obras da Codificação devem ser levados em conta, analisados.

3.3- Aliás, cumpre lembrar que quem disse para fazer isso foi o próprio Emanuel que disse ao Chico que entre ele e o Espiritismo, que o Chico escolhesse o Espiritismo.

Que eu saiba, o que Emmanuel disse a Chico foi que, entre ele e Kardec, Chico ficasse com Kardec. Agora, como para Alexandre Fontes da Fonseca Kardec e Espiritismo são praticamente sinônimos, então não há mesmo o que retificar...

4- Sobre o ponto número 4, deixo claro que dentro do meu entendimento de Filosofia, Ciência e Espiritismo, minhas conclusões estão corretas. Mas, nada impede alguém ter uma contraprova como disse acima. Até que isso ocorra, o Espiritismo é a única doutrina que possui duplo caráter de uma revelação e nesse aspecto está à frente das outras doutrinas espiritualistas.

As conclusões originais de Alexandre Fontes da Fonseca (de que o Espiritismo seria a única doutrina espiritualista que teria também o caráter de "revelação científica" e que, por isso, estaria na frente de todas as outras, apenas "revelações divinas") não passam de -- a primeira -- OPINIÃO MUITO QUESTIONÁVEL e -- a segunda -- PURA IDIOSSINCRASIA. [Nota de 30/11/12: Nem como achismos as conclusões do autor valem, pois que estão baseadas em uma premissa ilógica por princípio, mencionada, abaixo, neste meu comentário aqui.] E o autor ainda pede por "contraprovas"... Está a brincar, não é possível. Ora, para que "contraprovas" sejam apresentadas, é preciso que, antes, se forneçam as "provas" ou algo que ao menos passe perto disso, o que não foi feito!

5- Sobre o ponto número 5, entendo que a recomendação de Erasto só deve ser aplicada a ideias e conceitos novos que não podemos analisá-los com profundidade. Nisso, afirmo ao leitor que, com relação às minhas premissas, para mim elas estão muito bem embasadas (vide referências acima) e, portanto, não carecem de aplicação da recomendação de Erasto.

Infelizmente, não concordamos, e deixamos a cargo do(a) leitor(a), após tudo o que escrevemos acima, a conclusão se as premissas de Alexandre Fontes da Fonseca estão de fato bem embasadas ou não.

(Após a publicação desta postagem, comunicaremos Alexandre Fontes da Fonseca sobre sua existência e solicitaremos ao Sr. Astolfo O. de Oliveira Filho que forneça um link a ela após a Resposta do Editor que aparecerá anexada ao nosso comentário a ser publicado na revista O Consolador de amanhã.)

Nota: Este texto foi revisado em 28/10/12.

Outra nota: Em 29/10/12 pela manhã, ou seja, já com meu comentário publicado no n. 284 da revista, seguido da "resposta" de Alexandre Fontes, e mais de 1 dia depois da solicitação para que o Sr. Astolfo fornecesse um link para esta presente postagem após a "resposta" mencionada, recebemos a curiosa notícia de que o comentário seria apagado e que, caso eu remeta novas mensagens à revista, "elas não serão publicadas, mas enviadas diretamente ao autor da matéria a que, porventura, se refiram"...

sábado, 20 de outubro de 2012

As informações falsas da propaganda do "3o. Simpósio de Saúde e Espiritualidade do Vale do Paraíba" e as papagaiadas de um tal Alexandre Serafim...


Tem gente mesmo incorrigível neste mundo. Fiz de tudo para não precisar denunciar publicamente as informações falsas constantes no folder do "3o. Simpósio de Saúde e Espiritualidade do Vale do Paraíba", mas não será possível continuar em silêncio. A falta de profissionalismo e as intimidações à minha pessoa ventiladas pelo médico Alexandre Serafim, responsável pelo Simpósio, em seus últimos e-mails a mim dirigidos, infelizmente, me obrigam a escrever este texto, através do qual os internautas ficarão a par não só das informações falsas em questão, como de todos os elementos que acabaram culminado em minha decisão de escrevê-lo e publicá-lo.

A primeira notícia que tive do "3o. Simpósio de Saúde e Espiritualidade do Vale do Paraíba" foi em 13 de setembro deste ano (13/09/12), quando recebi por e-mail uma propaganda do Simpósio na forma de um cartaz digital, que segue abaixo:

Este pôster, até o presente momento, encontra-se disponível,
por exemplo, no site da AME Brasil (aqui).

Notei de pronto certas informações inverídicas aí, e tratei logo de comunicar o responsável pelo evento sobre isso, como faço de praxe com toda propaganda que recebo e que não é condizente com a realidade. Reproduzo abaixo o teor de meu e-mail:

Prezado Dr. Alexandre Serafim:

Há 3 informações falsas no 'folder' do 3o. Simpósio de Saúde e Espiritualidade do Vale do Paraíba:
1) Sérgio Felipe de Oliveira não é "Prof. Dr." (não tem doutorado);
2) Ele também não tem qualquer vínculo formal com a FMUSP;
3) Marcus Vinícius Russo, igualmente, não é "Prof. Dr." (não tem doutorado).

Vamos tratar de passar informações verdadeiras aos potenciais participantes do simpósio?

(Pelo fato de então eu não saber da formação e dos vínculos profissionais de 4 das 6 pessoas que aparecem descritas no cartaz, deveria ter sido mais preciso, dizendo: "Há, pelo menos, 3 informações falsas no 'folder' [...]". E, realmente, há mais dados inverídicos ali, que ressaltei em um outro e-mail.) 

Bem, após ter enviado a mensagem, esqueci-me do caso. Até que, em 6 de outubro (06/10/12), tendo aberto um e-mail de 01/10/12 -- nem sempre consigo colocar minha correspondência em dia --, eis que me surge novamente o pôster do Simpósio... E continuava o mesmo, o mesmíssimo, apresentando as mesmas informações falsas. Só isso já seria suficiente para mostrar que Alexandre Serafim é, no mínimo, um despreocupado com a verdade. (Ressalto que até aquele dia 6, ou seja, quase um mês após o envio de meu e-mail, nenhum retorno eu havia obtido do médico.) Pois bem. Então a seguinte mensagem foi enviada a ele naquele dia: 

Se eu não receber qualquer resposta de tua parte até dia 13 de outubro, considerarei que o 'folder' foi construído com intenções deliberadamente enganosas. Sendo assim, não me restará outra opção a ser denunciar publicamente a coisa. 

P.S.: Não conheço os outros palestrantes, mas, diante do que expus na mensagem anterior, é bem possível que muitas das informações sobre eles também sejam falsas...

Curiosamente, a resposta então veio rápida, logo no outro dia (07/10/12). É impressionante como certas pessoas só se dispõem a agir de forma correta sob a possibilidade de seus erros tornarem-se públicos... Mas o posicionamento de Alexandre Serafim perante a questão foi no mínimo curioso. Vejamos alguns trechos de seu e-mail:

Mas colocamos na divulgação do evento o que nos foi informado

Aqui o médico simplesmente esteve a afirmar que não tivera participação na inveracidade das informações que mencionei no primeiro e-mail. Não acreditei, e disse-lhe explicitamente por quê em minha resposta, que será reproduzida mais adiante. 

Comunico que nos meus 25 anos de formado, passando por residência médica, especializações e pós-graduações; além dos meus quase 18 anos como docente tive a oportunidade de conviver com muitos profissionais da área de saúde, e posso categoricamente lhe afirmar que titulos pouco valem e até podem ser comprados, o que realmente importa é o profissionalismo, ética e moral que conduzimos a nossa atividade profissional. Tive muitos e excelentes professores em minha formação que não tinham qualquer titulação mas  que os considero muito mais que qualquer "Professor Dr." que tive contato ao longo dos anos, e ainda hoje quando encontro com algum deles que pela bondade Divina ainda está aqui para dar seu exemplo aos mais jovens, os venero como verdadeiros "Profs. Drs.".

Essa passagem foi completamente desnecessária! Ou o Sr. Alexandre Serafim se fez de bobo, ou ele não sabe interpretar um simples e-mail... Bem, se ele lê como escreve, isto é bem possível... Vejam que em momento algum eu ressaltei a importância de títulos! A questão, definitivamente, não é esta, pois também não vejo a mínima importância em alguém ter o título de doutor ou não. Prezo, antes de tudo, pelo autodidatismo. E o que importa não é o título que a pessoa tem, mas a sua conduta e o que ela produz para a sociedade. Então, sobre meu e-mail inicial, e para que fique claro de uma vez por todas: a questão não é a importância dos títulos, mas a importância da veracidade das informações. O nobre médico, porém, parece não ligar muito pra isso, conforme fica claro da passagem abaixo...

Creio que os participantes deste Simpósio estarão presentes pelo nome, experiência e trabalhos cientificos que os palestrantes convidados trazem em seus curriculos. Pelo teor do nosso evento creio que nenhum deles estará se importando com titulos de Professor e Doutor. Mas se isto lhe proporcionar algum alivio te convido a vir ao nosso evento e te concederei alguns minutos na abertura para que você exponha aos participantes que estão sendo enganados por alguns dos palestrantes não serem Professores Doutores, e afirmo a vc que se algum participante sentirsse lesado ele será restituido do valor pago (o valor da inscrição é doado, não temos fins lucrativos) e poderá se retirar.

Aqui sua postura antiética fica evidente. Ora, não é porque ele crê que ninguém vá ao Simpósio por conta da titulação de seus palestrantes que isso lhe dá o direito de divulgar titulações mentirosas!... Se títulos são importantes ou não, a questão não é esta, e já deixamos claro nosso ponto de vista sobre o assunto. A questão é que eles devem ser apresentados de forma correta. Só isso!... Ressalto também que Alexandre Serafim exagera ao afirmar que os palestrantes (fazendo-nos subentender todos eles) trazem trabalhos científicos em seus currículos, pois aqueles dois que citamos em nosso primeiro e-mail, por exemplo, não têm qualquer artigo publicado em periódicos científicos ou trabalhos completos publicados em anais de congressos científicos... Por fim, sua ridícula proposta, convidando-me a ir ao evento para denunciar na abertura do mesmo as titulações falsas de dois dos palestrantes, havia mostrado que ele não estava nem um pouco interessado em corrigir os problemas no pôster, ou seja, em divulgar a verdade. Porém, como ainda tenho esperanças no ser humano, tentei mais uma vez fazê-lo refletir melhor, enviando-lhe a seguinte mensagem em 11/10/12, uma quinta-feira:

Não me parece que vocês colocaram na divulgação do evento apenas o que lhes foi informado, uma vez que está evidente a *padronização* no tratamento dos palestrantes. Coisa do idealizador do 'folder', é claro. E veja mais: o que o senhor está me dizendo é muito sério. Quer dizer que Sérgio Felipe afirmou-lhes que está vinculado à FMUSP? É isso?

Dispenso o convite para denunciar a falsa propaganda do Simpósio na abertura do mesmo. Se o senhor não tomar as providências cabíveis (enviar um novo 'folder', corrigido, aos seus contatos, principalmente à AME-Brasil), irei fazer uma denúncia pública do caso, e EM BREVE.

Aguardo teu retorno até às 14h do dia 13 próximo.

A resposta não tardou a vir. No mesmo dia Alexandre Serafim retornou-me, dizendo então que até dia 13 não seria possível realizar mudanças no cartaz, pois teria primeiro que fazer uma solicitação formal junto à Pró-Reitoria de Extensão da UNITAU, universidade da qual ele é docente e onde acontecerá o evento, e depois a coisa teria ainda que seguir para o Setor de Programação Visual, etc. Ele entraria em contato com a Pró-Reitoria de Extensão dia 15, mas o novo pôster só ficaria pronto por volta do dia 17.

Pois bem. Retornei-lhe então dizendo que, como ele estava disposto a corrigir os erros na propaganda do Simpósio, aguardaria até o dia 17, informando-lhe também que outras 2 pessoas que constam da programação do Simpósio, contrariamente ao que ficava subentendido de suas designações ("Prof. Dr." e "Profa. Dra."), também não tinham doutorado.

No fim do dia 15, como não havia recebido nenhum comunicado do Sr. Alexandre Serafim de que ele já entrara em contato com a Pró-Reitoria de Extensão da UNITAU para que fosse elaborado um novo pôster, enviei-lhe a seguinte mensagem:

Já fizeste a solicitação formal junto à Pró-Reitoria de Extensão da UniTau para a elaboração do novo 'folder' do Simpósio?

A resposta, vinda no dia seguinte (16/10/12) pela manhã, foi um tanto curiosa. Não a repliquei, mas tratarei de comentar alguns de seus trechos agora:

Primeiro estou entrando em contato com os palestrantes, enviando aos mesmos as suas criticas e reinvindicações. Se os mesmos consentirem com as mudanças solicitarei a Pro-reitoria as mesmas nos folders e lhe encaminharei.

Ora, ora... Se eles não consentissem com as mudanças, seriam simplesmente uns calhordas!

Acho que até o final do dia 17, como combinado, terei uma resposta definitiva; caso o podoroso e implacavel Zeus possa esperar, claro!

Aqui começaram os gracejos, que continuariam na mesma mensagem e também na seguinte. Recomendaria ao Dr. Alexandre Serafim procurar um circo nas horas vagas para dar vazão ao seu talento para palhaço.

Cuidado comportamentos obsessivos podem ser indicios subclínicos de futuras psicopatias. Ansiedades, irritabilidades, desafetos, impaciência  e intolerância aumentam os níveis do cortisol e adrenalina facilitanto o surgimento de doenças cardiovasculares e até canceres.

(Notem a redação indigente, só digna dele mesmo.) Lendo o trecho acima tive vontade de dizer-lhe: "Agradecido pela orientação, professor. No seu caso, porém, pode ficar tranquilo, pois burrice e despreocupação com a verdade não causam cardiopatias. Nem cânceres..."

Finalmente, no início da noite do dia 17, como combinado, recebo um e-mail do Sr. Alexandre Serafim com o novo cartaz anexo. E trato de reproduzir sua mensagem em duas partes, que serão comentadas.

Olá José Edmar, os palestrantes não se sentiram prejudicados com alterações na divulgação do evento e consentiram com mudanças no folder e cartaz

Repito aqui o que já disse acima: se eles não consentissem com as mudanças, seriam simplesmente uns calhordas! E digo mais: se o Dr. Alexandre Serafim, tendo em vista um "não-consentimento" dos palestrantes, não realizasse as devidas alterações no pôster, seria ele, igualmente, um calhorda! Aliás, deixo para os leitores julgarem se, pelo que apresentamos até agora e apresentaremos a seguir, o médico já não se encontra muito próximo disso...

Agora, o arremate do e-mail, que foi a "gota d'água" para que eu tomasse a decisão de escrever e publicar este presente texto. Observem bem as ridículas ameaças:

Comunico que as repercurssões das suas criticas, principalmente na forma como foram formuladas, gerou muito desconforto não apenas nos convidados como em varias outras pessoas. Espero que o Olimpo não tenha ou nunca venha a ter "teto de vidro", pois a partir de hoje vc ganhou alguns observadores. 
Comunico também que denuncias publicas podem se tornar processos juridicos. 
Boa Sorte. 
Alexandre Serafim

(Escreverei daqui por diante como se estivesse me dirigindo diretamente ao Sr. Alexandre Serafim, que receberá um comunicado desta postagem tão logo ela for publicada.)

Comentários:
1- A forma como minhas críticas foram formuladas foi a mais direta e impessoal possível.
2- O fato de o senhor tê-las repassado a "várias outras pessoas" além dos convidados mostra-nos que não tens o mínimo de profissionalismo! Sim, porque se eu fiz questão de comunicá-lo de forma particular é porque gostaria que o caso fosse resolvido da maneira mais discreta possível. Infelizmente, tua falta de ética me obrigou a escrever e publicar este presente texto.
3- Todos os que se sentiram "desconfortados" com minhas críticas terão agora a oportunidade de manifestar seus "desconfortos", aqui. Que comentem esta postagem! Há espaço adequado para isso (abaixo). Sou o primeiro que deveria saber o que exatamente em minhas críticas pode ter causado desconforto em pessoas que prezem pela verdade.
4- Fico feliz por ter ganho alguns "observadores". Apesar de não acreditar que o senhor e os da sua laia consigam ver um palmo além dos próprios narizes, fico no aguardo de vossas observações. Quem aponta nossos erros está, antes de tudo, nos ajudando.
5- Se o senhor pensou que iria me intimidar dizendo que "denúncias públicas podem se tornar processos jurídicos", como podes ver, o tiro saiu pela culatra!... Eu NÃO ADMITO qualquer ameaça à minha liberdade de expressão, principalmente em casos como este, em que estou embasado por elementos FACTUAIS e com o único objetivo de que haja compromisso com a verdade na divulgação de informações. Se já usaste deste artifício e funcionou, perdeste seu tempo em tentá-lo comigo.

Então, Sr. Alexandre Serafim, enquanto não angarias valores morais para agir como homem de bem, deixo-lhe uma sugestão: VÁ CATAR COQUINHOS EM MADAGASCAR!...

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P.S.: Segue abaixo o novo cartaz do Simpósio, que me foi enviado dia 17 último, como já mencionei.


Apesar de bem mais próximo da realidade, infelizmente há ainda informações imprecisas aí:
-- O segundo palestrante chama-se Marcelo Csermak (não Csermark) Garcia, e, se ele é referido como professor, entre parênteses deveria constar a instituição onde atua como tal, não a UNIFESP, onde ele é apenas um mestrando;
-- O nome da última "atração" também está grafado erroneamente. Trata-se de Anna Paula Sahdi (não Sahd). Além disso, que eu saiba, ela não é doutora, nem professora da UNIFESP.

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Nota importante (22/10/12, às 08:57): Nenhum dos sites e redes sociais que divulgam o evento exibe o cartaz acima, que está pronto desde 17/10/12, conforme já dito. Isto nos mostra que a sua elaboração, muito provavelmente, se deu única e exclusivamente para tentar evitar que eu fizesse uma denúncia pública das falsas informações presentes em sua versão anterior -- o que agora já está feito --, sem qualquer intenção de enviar o novo pôster aos responsáveis pelas propagandas do Simpósio e de solicitar-lhes que o antigo fosse retirado do ar ou substituído. Além disso, em caso realmente digno de nota, numa propaganda do evento iniciada às 5:24 de 19/10/12 -- ou seja, posteriormente à finalização do novo cartaz -- no Facebook da Associação Médico-Espírita de São Paulo (vide aqui), o antigo pôster é que foi utilizado. Fica então evidente que o organizador do Simpósio, Dr. Alexandre Serafim, não bastasse tudo o que já relatamos acima neste texto, agiu e está agindo com deliberada má-fé.

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Outra nota importante (23/10/12, às 21:31): Recebi agora pouco um e-mail de Alexandre Serafim, que me foi repassado por outra pessoa, em que o médico e professor universitário comunica "que, por problemas técnicos, o local do 3o. Simpósio de Saúde e Espiritualidade foi alterado". Então é informado o novo local do evento, e sua programação é novamente disponibilizada. Era o momento ideal para o Sr. Serafim divulgar informações corretas sobre as "atrações" do Simpósio. Curiosamente, porém, todas as correções relativas ao antigo cartaz do evento, que resultaram no pôster acima, foram simplesmente DESCONSIDERADAS!... Sérgio Felipe, Marcelo "Csermark" e Marcus Vinícius voltaram a constar como "professores-doutores" (até ele, Alexandre Serafim, que também não tem doutorado, apareceu como "Prof. Dr."!), e Sérgio Felipe voltou a ser descrito como da FMUSP. Que fique registrado mais uma vez: todas estas informações são FALSAS.