terça-feira, 31 de maio de 2011

A crítica de uma crítica

Há exatamente 1 ano atrás enviei a alguns colegas e ao Instituto Cultural Kardecista de Santos (ICKS) meu artigo Sobre "A Física no Espiritismo", uma crítica ao trabalho A Física no Espiritismo, de Érika de Carvalho Bastone, apresentado no VIII Simpósio Brasileiro de Pensamento Espírita, ocorrido de 17 a 19 de outubro de 2003 em Santos-SP. Como recentemente descobri que este trabalho foi disponibilizado na Internet (aqui), sinto-me na obrigação de também disponibilizar meu artigo aos internautas. Para vê-lo, basta clicar no link abaixo.

Sobre "A Física no Espiritismo"

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sobre certa coleção inventada pelo Departamento Editorial da FEB

Com o sucesso já consagrado dos livros da conhecida "Série André Luiz", o Departamento Editorial da FEB, talvez coisa de uns 10 anos pra cá, resolveu inovar: tratou de dar destaque especial a uma coleção de livros daquela série colocando-os sob a denominação "A Vida no Mundo Espiritual". Até aí, nada de errado; aliás, boa a iniciativa, não fossem dois livros da coleção, que não deveriam ter constado nela por não tratarem especificamente da vida no mundo espiritual: Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade.

Foi por isso que há exatas 4 semanas enviei à Comissão Editorial da FEB uma mensagem dizendo o seguinte:

Os livros Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade não deveriam propriamente aparecer na coleção "A Vida no Mundo Espiritual" da série "André Luiz". Basta um passar de olhos nos capítulos das referidas obras para se verificar isto. Um leitor iniciante interessado no assunto "vida no mundo espiritual", adquirindo Evolução em Dois Mundos e Mecanismos da Mediunidade estará comprando gato por lebre... Penso ser importante vocês modificarem este estado de coisas.

Não obtive retorno, e tenho dúvidas de que minha mensagem surtirá algum efeito. Afinal, nem mesmo com um assunto muito mais sério (vide aqui) eles mexeram uma palha sequer até o momento...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sobre algumas obras "mediúnicas" de R. A. Ranieri

Este post irá tratar de certas classes de erros perpetrados pela Editora da Fraternidade (Edifrater) em 4 obras de R. A. Ranieri (1919-1989): O Abismo, O Sexo Além da Morte, Aglon e os Espíritos do Mar e A 2a. Morte. Os erros foram cometidos pelo próprio autor (responsável pela editora de 1985 a 1989), mas são de espécies tais que deveriam ter sido corrigidos pela Edifrater após seu desencarne.

Depois de já ter se consagrado na literatura espírita com clássicos como Materializações Luminosas - Depoimentos de um delegado de polícia (LAKE, 1956) e Forças Libertadoras - Fenômenos espíritas (Ed. Eco, 1967), livros que tratam da mediunidade de efeitos físicos observada in loco, o escritor R. A. Ranieri (que em vida também fora delegado de polícia, prefeito municipal e deputado estadual) parece ter se perdido. É o que podemos notar de suas obras O Abismo (Ed. Eco, 1969) e O Sexo Além da Morte (Ed. Eco, 1973). Sem falar das enormes incongruências internas dos referidos livros (o que, em minha opinião, seria suficiente para descartá-los como obras publicáveis), a Ed. Eco não realizou uma revisão mais cuidadosa neles, e ainda esboçou em uma das folhas de rosto de ambos: "Obra Mediúnica / Orientada pelo Espírito de André Luiz". Ora, quem já folheou ou leu estas obras percebe que elas não são mediúnicas. Trata-se apenas de relatos do autor de experiências extracorpóreas que ele teria tido com o acompanhamento dos Espíritos Orcus e Eleutério, respectivamente, o que não se enquadra propriamente na categoria "mediúnica". A contribuição de André Luiz em tais livros, se realmente houve alguma (temos nossas dúvidas), foi a de ter auxiliado o autor nas rememorações de suas experiências extrafísicas.

A Editora da Fraternidade (Edifrater) foi fundada em 1982 no bairro de Sto. Amaro (em S. Paulo-SP). Em 1985, devido a esforços do próprio Ranieri, a sede da editora foi transferida para a cidade de Guaratinguetá-SP, onde ele vivia, passando então a ser administrada pelo mesmo [Trecho modificado em 26/10/11]. Naquele ano, pela Edifrater, foi republicado O Abismo (3a. ed.*), e em 1988 foi a vez de O Sexo Além da Morte (8a. ed.), cuja 7a. ed. saiu pela Ed. Record. Pois bem. Nenhuma revisão foi feita das versões anteriores. Foram utilizados fac similes dos miolos dos livros, havendo mudança apenas em suas capas e contracapas, no lôgo editorial que aparecia em seus frontispícios, e nos dados editoriais. Em edições posteriores, a Edifrater, contribuindo para que as obras tornassem-se ainda mais erradas, tratou de colocar a errônea informação "Obra Mediúnica" também nas capas dos livros...

Em 1987 a referida editora publicou de Ranieri Aglon e os Espíritos do Mar, e em 1988 foi a vez de A 2a. Morte. Ambos os livros, seguindo a tendência dos já mencionados, são incongruentes. Além disso, muito mal escritos. Na capa de Aglon consta: "Pelos Espíritos André Luiz e Júlio Verne / Obra mediúnica de R. A. Ranieri", e em uma das folhas de rosto: "Ditado pelo Espírito Júlio Verne / Orientação do Espírito André Luiz". Bem, a parte II do livro trata-se da descrição por Ranieri de supostas experiências extrafísicas que ele (no Mundo Espiritual, Kalicrates) teria tido na alegada companhia de Júlio Verne, não sendo portanto ditada por este Espírito. Além disso, crer que a primeira parte do livro tenha sido ditada por Verne (Espírito) seria supor que o grande escritor tivesse involuído sobremaneira em seus dotes literários... Por fim, não fica clara a tal "orientação" de André Luiz na obra. Quanto a A 2a. Morte, em sua capa aparece: "Obra mediúnica de R. A. Ranieri / Pelos Espíritos André Luiz e Altino". Tal informação é falsa. A obra em questão não é mediúnica. Trata-se, como O Abismo, O Sexo Além da Morte e a parte II de Aglon, de relatos do autor de supostas experiências extracorpóreas que ele (chamado ali Kalicrates) teria tido com o acompanhamento de certos Espíritos. Dessa vez, seu guia principal teria sido Altino, mentor espiritual de Ranieri. Fiz questão de ter frisado o "supostas" porque em A 2a. Morte o autor realmente se supera... É só celebridade que ele encontra! Apolônio de Thyana, Platão, Sócrates, Demócrito, Francisco de Assis... Você acredita? Eu não. Além disso, como nos outros livros mencionados, a real contribuição de André Luiz na obra (que duvidamos que tenha ocorrido) não é explicitada. Talvez o autor tenha acreditado que o referido Espírito tenha-o auxiliado na lembrança de suas experiências extrafísicas, sei lá...

Vale ressaltar, também, que na última folha de A 2a. Morte consta que estariam "no prelo" as seguintes obras de Ranieri: O Pensamento de Chico Xavier, Pensamentos Iniciáticos e O Reino de Deus. Isso confundiu-me por um bom tempo, pois não descobria estes livros em lugar algum. Na realidade, pude constatar depois, tais obras não chegaram a ir ao prelo - nem mesmo estiveram prontas para tal -, tendo sido apenas esboçadas.

(*Nota de 16/09/11: Para a saída de 1987 da obra, a Edifrater elaborou uma ficha catalográfica na qual constou "3a. edição". Importante atentar, entretanto, que se trata apenas da 3a. edição pela Edifrater. Antes de ser publicado por esta editora, O Abismo teve duas edições pela Ed. Eco. Portanto, a edição de 1987 foi a 5a. edição geral da obra.)

domingo, 1 de maio de 2011

Sobre a capa e a contracapa de "Cidade no Além"


Bem, leitores, o que é que vocês deduzem ao observarem a imagem acima (capa do livro "Cidade no Além")? Que estamos diante de uma obra mediúnica devida aos Espíritos André Luiz e Lucius, certo? Sim, certo, contudo esta dedução não corresponde à realidade, e foi por isto que em 11/01/07 enviei um e-mail ao Instituto de Difusão Espírita - IDE comunicando que a capa de "Cidade no Além" era problemática.

Quem lê ou simplesmente folheia a obra constata o seguinte: o livro é composto de textos não-mediúnicos (apenas no cap. III observamos textos mediúnicos, uma compilação de trechos de André Luiz / Francisco C. Xavier) e de desenhos realizados por Heigorina Cunha obtidos por rememoração de desdobramentos dirigidos pelo Espírito Lucius. Ou seja, Heigorina não atuou propriamente como uma médium, e muito menos podemos considerar André Luiz / Francisco C. Xavier (responsáveis pelo prefácio da obra) como autores.

Pois bem. Em 05/02/07, entrou em contato comigo, falando em nome do IDE, o Sr. Wilson Frugilo Júnior. Entre outras coisas, ele dizia:

1. No nosso entendimento, o livro é mediúnico porque,
basicamente, é fundamentado nas ilustrações, captadas
pela mediunidade de desdobramento de Heigorina e
confirmadas pela mediunidade de Chico Xavier;
2. O principal, a revelação que o livro trouxe, são os
desenhos e não o texto;
3. Chico Xavier merece ser co-autor porque confirmou,
passo a passo, a revelação de Heigorina e não só com o
Prefácio, conforme explicação do livro-complemento
Imagens do Além.


Obviamente, não nos convenceu a resposta, ao que dissemos, no mesmo dia:

Perdoe-me discordar de suas colocações.
1. Um ponto importante a ser observado é que o desdobramento não é um fenômeno mediúnico, pois o encarnado desdobrado não atua como intermediário. Ele pode ser auxiliado por algum Espírito, mas não atua como médium. No caso da Heigorina, ela viu coisas no Astral, estando desdobrada, e depois as reproduziu. Simplesmente isso.
2. Concordo. Mas o nome do escritor das linhas deveria aparecer na capa. Questão de clareza.
3. O fato do Chico confirmar as revelações da Heigorina não faz dele co-autor do livro. De forma alguma.


Obtivemos novo retorno em 21/02/07, quando o Sr. Wilson dizia o seguinte:

Mais uma vez, vimos à sua presença para:
Solicitar ao irmão que verifique "Mecanismos da
Mediunidade", cap.21, intitulado "Desdobramento", que
apresenta em seu item final o tema "Desdobramento e
Mediunidade", onde o autor afirma: que, em
desdobramento, "considerável número de pessoas
transforma-se em médium (...) os médiuns dessa
categoria...".
Ver,também, "Nos Domínios da Mediunidade", cap.XI,
intitulado "Desdobramento em Serviço".
Que em Kardec (O Livro dos Médiuns, q.172), o que mais
se aproxima do Desdobramento é a mediunidade
sonambúlica.


Ao que replicamos (no mesmo dia):

O fato de em alguns casos o indivíduo desdobrado poder se portar como um médium obviamente é particular; em alguns casos, como acabo de dizer. No que tange à Heigorina Cunha, não há nada que indique que ela atuou como médium no que se refere à "Cidade no Além", pois ela simplesmente desenhou as imagens que ficaram retidas em seu cérebro espiritual em decorrência de desdobramentos. Se leres com atenção as próprias referências que me indicastes, verás que os casos esboçados são muito distintos do de Heigorina.

E tudo ficou por isso mesmo...

Continuamos a achar muito incorreta a forma como foi apresentada a autoria de "Cidade no Além" em sua capa. Ali deveria constar algo como:

Textos - Salvador Gentile
Ilustrações - Heigorina Cunha
Prefácio de André Luiz através de Francisco C. Xavier


Estaríamos sendo muito mais fiéis à realidade.

Já na contracapa aparece o seguinte (a edição que possuímos é a 30a., de Mar/2005): "A autora desta obra (...)". Ora, além disso contradizer a própria informação da equivocada capa, contradiz também a realidade. A contribuição de Heigorina Cunha no livro deu-se com um pequeno texto e com os desenhos, portanto o correto é dizer que ela foi uma co-autora da obra. E o texto da contracapa continua: "(...) Trata-se de um trabalho mediúnico (...)". Entretanto, como já explicamos, o livro não é mediúnico!

Urge modificar a capa e a contracapa de "Cidade no Além", não?...

(Este texto foi modificado em 30/05/2011 e revisado em 30/10/12)