terça-feira, 13 de julho de 2010

Moura Rêgo e o "físico" seu amigo...

Tendo iniciado minha participação no “Fórum Espírita” na tarde do dia 10 último (10.07.10), única e exclusivamente para apontar uma grande bobagem que havia sido veiculada por um membro de sua Equipe conhecido como Moura Rêgo (neste tópico), constatei na noite de ontem (12.07.10) que as três mensagens enviadas por mim – e duas respostas que as intercalavam – tinham sido apagadas, e este que vos escreve, banido do fórum... (Vale ressaltar que tal banimento beira as raias do absurdo, pois o indivíduo não só tem sua participação proibida, como também tem o IP de seu computador registrado e fica impedido até mesmo de ler qualquer conteúdo do fórum, que é público!)

Pois bem. Felizmente, eu tive o cuidado de salvar o conteúdo de minha primeira mensagem, assim como das duas respostas de Moura Rêgo e de minha terceira mensagem. É uma precaução que sempre devemos ter ao lidar com ambientes virtuais intelectualmente desonestos, como o referido fórum.

A mensagem inicial de Moura Rêgo que eu repliquei (vide link fornecido acima) é a seguinte:

"André Luiz por Carlos Imbassahy.
« em: 22 de Novembro de 2009, 15:29 »
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Amiugos, no tempo em que tivemos a presença do meu mano Imba comandando o estudo de A Genese na Sala Filosofia Espírita, nossos papos eram quase ininterruptos. Todo dia ou eu ou ele telefonava para acertarmos detalhes dos estudos e num desses ele comenmta oq ue abaixo aparece.
NOTA: Carlos de brito Imbasahy é físico, foi profressor de física na UFRJ.
Abraços,
Moura

Já que V. está rebatendo ou analisando as obras de André Luiz, caro Rai, vou fazer-lhe um comentário que V. poderá utilizar usando meu nome:

Um dos graves erros de André Luiz

Muitos são aqueles que me criticam porque rejeito André Luiz e só o considero como pseudocientista, mas, tenho carradas de razões para fazê-lo, principalmente porque, na minha área de trabalho, como professor de física, os erros por ele cometidos seriam ridicularizados porque qualquer outro analista.

Destaquemos dois:

Em mecanismos da Mediunidade ele diz que "os elétrons fluem pelas escovas do dínamo..." teoria essa ensinada aos alunos do antigo curso científico até 1945 para explicar a existência da corrente elétrica.

Evidentemente, tal afirmativa não tinha nenhum suporte científico porque, sendo uma partícula do átomo, o elétron só pode abandoná-lo em um aparelho como o ciclotron que bombardeia o núcleo do mesmo para desintegrá-lo. E de onde sairia este átomo para fluir pela escova de um dínamo?

Este absurdo já seria suficiente para provar que André Luiz não tem a menor noção da Física atômica.

Mas, o mais curioso de tudo está na configuração feita por este autor relativamente à existência da mônada, que é uma figura puramente abstrata criada por Leibniz em seus conceitos puramente filosóficos para explicar a existência , dentro da Teodicéia idealizada por ele, em 1710 como sendo o elemento primitivo da criação.

É puro devaneio que André Luiz transformou em realidade, como se, de fato, ela existisse para a formação do Universo.

E muitos de seus adeptos, desconhecendo os estudos do velho Gotfried, matemático alemão que se tornou filósofo e que tentou idealizar um conceito matemático para a existência das coisas, sem nenhuma base da Física.

André Luiz ainda comete outros erros terríveis na área da Física.

C.B.Imbassahy
"

E o conteúdo de minha réplica, enviada a 10.07.10, era o seguinte:

"Sr. Moura Rego, antes de tudo gostaria de saber de onde tiraste esta que Carlos de Brito Imbassahy é físico e que, além disso, teria sido professor da UFRJ.

Sobre as críticas tecidas por Brito Imbassahy, vejamos...

Ele diz que "... sendo uma partícula do átomo, o elétron só pode abandoná-lo em um aparelho como o ciclotron que bombardeia o núcleo do mesmo para desintegrá-lo".

É de uma ignorância tremenda... Nem mesmo um colegial mal informado falaria uma bobagem dessas. Os elétrons podem abandonar os átomos de que fazem parte através de processos os mais banais, como um simples pentear de cabelos!... Não bastasse já a lorota dita por Brito Imbassahy, ainda no trecho transcrito ele comete outros erros ao falar que os elétrons só poderiam abandonar o átomo "em um aparelho como o ciclotron que bombardeia o núcleo do mesmo para desintegrá-lo", pois: (1) em bombardeamentos de núcleos atômicos não são produzidos elétrons; (2) apesar de poder ser utilizado para o fim mencionado, a função de um cíclotron é apenas a de *acelerar* partículas carregadas.

É incrível que, mesmo após ter cometido todos erros primários que acabamos de mencionar, Brito Imbassahy ainda teve a ‘cara de pau’ de dizer: "Este absurdo já seria suficiente para provar que André Luiz não tem a menor noção da Física atômica"...

Depois, ao criticar o uso da palavra "mônada" por André Luiz (vide "Evolução em Dois Mundos"), Carlos de Brito Imbassahy mete os pés pelas mãos. Primeiro, desconhecendo que uma palavra é apenas uma palavra, de modo que pode ter vários significados, Brito Imbassahy diz que André Luiz transformou devaneio em realidade, pois "mônada", para Leibniz, é uma palavra com sentido abstrato. Acontece que há acepções outras para a palavra, como, por exemplo... "alma" ou "sopro vital", justamente o sentido adotado por André Luiz! Portanto, não houve erro algum por parte do abnegado médico desencarnado.

Já está passando da hora do movimento espírita tomar ciência de que este senhor, que se diz físico, não merece qualquer crédito em suas ponderações, tamanha a quantidade de besteiras que já falou e continua falando por aí.
"

A resposta de Moura Rêgo, enviada em 11.07.10, iniciou-se assim:

"Carlos de Britto Imbassahy é fíisico e professor catedrático na matéria. (...)"

Depois, ele recomendava-me que eu deveria ter pesquisado antes na Internet para saber sobre a formação de Brito Imbassahy... Ora, mas a indagação do início de minha mensagem fora no sentido de saber onde ele, Moura Rêgo, teria tirado esta que Carlos de Brito Imbassahy seria físico e havia sido professor da UFRJ, o que não me foi dito... Não bastasse isso, Moura transcreve uma das muitas falsas informações sobre a formação de Brito Imbassahy espalhadas pela Internet. Curiosamente, na escolhida por ele dizia-se tudo, menos que Brito Imbassahy era físico e que fora professor da UFRJ...

Em minha segunda mensagem, enviada também em 11.07, eu afirmei que tinha razões de sobra para dizer que Brito Imbassahy não é físico (entenda-se: que não tem qualquer habilitação para pesquisa básica em Física ou artigos científicos publicados na área) e, mais ainda, para dizer que ele nunca fora sequer professor do IF/UFRJ, que diremos professor catedrático. (De fato, eu já havia me certificado disso diretamente com o IF/UFRJ.) Tornei então a repetir a seguinte pergunta para Moura Rêgo: “De onde tiraste esta que Brito Imbassahy é físico e – pior – que teria sido professor catedrático da UFRJ?”

A resposta, também de 11.07, foi a seguinte (negrito meu):

"Me desculpe meu amigo José, mas eu o conheço de perto e de mito tempo, assim como conheci a seu pai, logo lhe poso dizer que essas razões não infundadas.
Deves estar misturando as estações pois ao pai que lhe deu o seu nome, é que cabem algumas das aferições pois foi advogado e se chamava apelas Carlos Imbasshy, o filho o De Britto, é que é físico ou seja professor catedrático cujo diploma eu já vi.
Contudo não estou aqui para discutir pessoas ou desavenças mas sim para falar de doutrina que como se sabe, o nosso bom André Luiz não faz.
Então caro amigo vamos ficar apenas nesse terreno ok? Qualquer noutra dúvida esclareça como próprio Carlos.
Abração,
Moura
"

Minha resposta, no mesmo dia, foi a seguinte:

"Não estou misturando nada, Sr. Moura Rego. Sei muito bem das diferenças entre o Imbassahy pai (C. Imbassahy) e o Imbassahy filho (C. Brito Imbassahy). Em termos éticos e intelectuais, seria como comparar um elefante a uma pulga, respectivamente.

Você está MENTINDO quando diz que Brito Imbassahy fora professor catedrático (da UFRJ, conforme outras mensagens) e que já viu seu diploma. Encaminharei seus e-mails àquela instituição para que ela tome as devidas providências sobre a falsa informação que passaste.

Vamos ficar apenas no terreno da verdade, ok?

Abração
"

Por minhas mensagens terem sido apagadas do "Fórum Espírita" (conforme já afirmei), faço questão de deixar aqui registrado o caso. Como pode ser notado, Moura Rêgo não só mentiu ao dizer que vira algo que não existe (diploma de professor catedrático de Carlos de Brito Imbassahy em nome do IF/UFRJ), como depois se utilizou de um ardil indigno, qual seja o de, como integrante da Equipe do “Fórum Espírita”, ter conseguido apagar suas próprias mensagens do dia 11/07, reproduzidas acima. Que coisa feia, hein?!

[Nota: Este tópico passou a ter seu atual título em 14/07/10]

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Réplica à crítica de José Passini a "Os Quatro Evangelhos"

Em 25/06/07, tendo recebido por e-mail, através de um conhecido, uma análise da obra “Os Quatro Evangelhos” (esta, originalmente em francês, fora compilada por J.B. Roustaing a partir de psicografias de Mme. Collignon) realizada pelo espírita José Passini, aventuramo-nos no mesmo dia, dada a gravidade das críticas, a escrever um texto a respeito, que fora enviado à pessoa que nos remetera o trabalho de Passini e para mais dois conhecidos, aos quais o trabalho de Passini também havia sido enviado. Para que nossa réplica torne-se agora disponível a todo navegante da Internet, reproduzimo-la abaixo. (Realizamos apenas algumas pequenas mudanças em relação a nosso texto de 25/06/07).

O texto de Passini está disponível desde meados de 2007 na Internet, através do portal “Orientação Espírita” (aqui). Mais tarde, apareceu também no portal “Apologética Espírita” (aqui), em Jan/2008, e na revista espírita virtual “O Consolador” (aqui), em Jun/2008. Além dos 4 parágrafos introdutórios, que denominaremos Introdução, e dos 3 parágrafos de fecho, que denominaremos Conclusão, o texto de Passini é composto das seguintes partes: Evolução do Espírito, Autenticidade da Encarnação de Jesus e Aparição de Moisés e Elias. Tomamos por referência estes títulos para designar as seções de nossa réplica, que segue...

Introdução

1. O autor diz que “Os Quatro Evangelhos” foi a primeira e talvez a mais forte das investidas contra o esclarecimento e libertação do espírito humano. Acusação grave e leviana, pois não há nada que indique isso e, muito menos, que comprove.

2. O autor diz: "Na obra “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, Roustaing é citado como pertencente à equipe de Kardec. Há aqueles que contestam a autenticidade de tal afirmativa".

Não sei se o sr. Passini também pensa, como alguns, que a citação do nome de Roustaing no livro referido tenha sido interpolação da FEB. Se for este o caso, não nos parece, entretanto, que ele tenha razão [trecho alterado em 28/10/12]. Basta ver a p.132 de "Testemunhos de Chico Xavier", obra organizada e compilada por Suely Caldas Schubert e publicada pela FEB. Trata-se da reprodução de uma carta enviada por Chico Xavier a Wantuil de Freitas, então presidente da FEB, a 25.03.47:

"Não te incomodes com a declaração havida de que o trecho alusivo a Roustaing, em “Brasil”, foi colocado pela Federação. Quando descobrirem que a Casa de Ismael seria incapaz disso, dirão que fui eu. De qualquer modo, eles falarão. O adversário tem sempre um bom trabalho - o de estimular e melhorar tudo, quando estamos voltados para o bem" (Existe um fac-símile desta carta no "Reformador" n. 1847, de fevereiro de 1983, p.18)

3. O autor diz que "Roustaing, embora tenha reencarnado com tarefa definida junto à obra de Kardec, desejou produzir obra própria, tornando-se presa fácil de fascinação". Primeiro: Roustaing, em nenhum momento, segundo me consta, desejou fazer obra própria: ele foi convidado a realizá-la por Espíritos que se manifestaram através da médium Mme. Collignon. E, quanto ao estigma de fascinado aplicado a Roustaing, pediríamos ao sr. Passini que nos enviasse o "atestado de fascinação" para que analisemos...

4. O autor diz: "Esses quatro volumes constituem obra fantasiosa (...)". Mais afirmação leviana... Frente ao que foi apresentado pelo sr. Passini em sua crítica, tal atributo não se justifica [trecho acrescido em 01/11/12].

Evolução do Espírito

5. O autor diz que com Kardec "aprende-se que o princípio inteligente percorre, durante milênios incontáveis, as trilhas da evolução, antes de atingir o estágio de humanidade". Será mesmo que é isto o que diz Kardec? Vejamos... (Os grifos são nossos.)

"(...) Segundo alguns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de ter sido elaborado e individualizado nos diferentes graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros o Espírito do homem teria sempre pertencido à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas tem a vantagem de dar uma finalidade ao futuro dos animais, que constituiriam assim os primeiros anéis da cadeia dos seres pensantes; o segundo é mais conforme à dignidade do homem (...) ". (Trecho de comentário de Kardec à questão 613 de "O Livro dos Espíritos")

"(...) Desse progresso constante, invencível, irrecusável da espécie humana, e do estacionamento indefinido das outras espécies animadas, concluireis comigo que, se existem princípios comuns a tudo o que vive e se move na Terra (...), não é menos verdade que somente vós, Espíritos encarnados, estais submetidos a essa inevitável lei do progresso que vos impele fatalmente para a frente e sempre para a frente. Deus pôs os animais ao vosso lado como auxiliares para vos alimentarem, para vos vestirem e vos ajudarem. (...) Mas, na sua sabedoria, não quis que fossem submetidos à mesma lei do progresso. Tais como foram criados, assim ficaram e ficarão até a extinção de suas espécies." (Trecho devido ao Espírito Erasto; item 236 de "O Livro dos Médiuns")

6. Depois, Passini cita um trecho de "Os Quatro Evangelhos":
"Como é que, chegado ao período de preparação para entrar na humanidade, na espiritualidade consciente, o Espírito passa desse estado misto, que o separa do animal e o prepara para a vida espiritual, ao estado de Espírito formado, isto é, de individualidade inteligente, livre e responsável?"
“É nesse momento que se prepara a transformação do instinto em inteligência consciente. Suficientemente desenvolvido no estado animal, o Espírito é, de certo modo, restituído ao todo universal, mas em condições especiais é conduzido aos mundos ad hoc, às regiões preparativas, pois que lhe cumpre achar o meio onde elaboram os princípios constitutivos do perispírito. (...) Aí perde a consciência do seu ser, porquanto a influência da matéria tem que se anular no período da estagnação, e cai num estado a que chamaremos, para que nos possais compreender, letargia. Durante esse período, o perispírito, destinado a receber o princípio espiritual, se desenvolve, se constitui ao derredor daquela centelha de verdadeira vida. Toma a princípio uma forma indistinta, depois se aperfeiçoa gradualmente como o gérmen no seio materno e passa por todas as fases do desenvolvimento. Quando o invólucro está pronto para contê-lo, o Espírito sai do torpor em que jazia e solta o seu primeiro brado de admiração. Nesse ponto, o perispírito é completamente fluídico, mesmo para nós. Tão pálida é a chama que ele encerra, a essência espiritual da vida, que os nossos sentidos, embora sutilíssimos, dificilmente a distinguem.”

E faz o seguinte comentário:
"Interessante notar, também, que o Espírito, depois de todas as aquisições individuais retorne ao “todo universal”, onde, certamente, perderia a sua individualidade".

É de uma má-fé terrível... Observem que no texto de "Os Quatro Evangelhos" está inclusive em itálico a expressão "de certo modo", referente à restituição do Espírito ao todo universal. É óbvio que o Espírito não perderia sua individualidade!... E o autor da crítica diz mais (erros reproduzidos tais e quais): "como teria, um Espírito recém-saído da animalidade ter um perispírito tão sutil a ponto de quase ser invisível aos Espíritos Superiores?", pergunta. Mas a questão da superioridade de um Espírito demanda um referencial. O que os Espíritos responsáveis pelos ditados disseram foi que, para eles, o Espírito ensaiando para a atuação teria o perispírito “completamente fluídico”, nada mais...

7. O autor cita que com "Kardec, aprende-se que o progresso do Espírito é irreversível, o que é racional, pois se não houvesse a irreversibilidade do progresso espiritual não haveria segurança nem estabilidade no Universo", como se com Roustaing não fosse assim. A "queda do Espírito", mencionada em "Os Quatro Evangelhos", em tese nada contradiz as leis do progresso [período modificado em 15/07/10]. Todos nós caímos ao aprendermos a andar. Existirá alguém que afirmará que, por isso, não progredimos na arte de caminhar?

8. O autor diz: "Em Roustaing, vê-se que, além de admitir a Metempsicose, afirmam seus interlocutores possa um Espírito voltar à Terra, ou a outros mundos, animando corpos primitivíssimos, como larvas!". E cita:

"Haveis dito que os Espíritos destinados a ser humanizados, por terem errado muito gravemente, são lançados em terras primitivas, virgens ainda do aparecimento do homem, do reino humano, mas preparadas e prontas para essas encarnações e que aí encarnam em substâncias humanas, às quais não se pode dar propriamente o nome de corpos, nas condições de macho e fêmea, aptos para a procriação e para a reprodução. Quais as condições dessas substâncias humanas?"
“São corpos ainda rudimentares. O homem aporta a essas terras no estado de esboço, como tudo que se forma nas terras primitivas. O macho e a fêmea não são nem desenvolvidos, nem fortes, nem inteligentes. Mal se arrastando nos seus grosseiros invólucros, vivem, como os animais, do que encontram no solo e lhes convenha. As árvores e o terreno produzem abundantemente para a nutrição de cada espécie. Os animais carnívoros não os caçam. A providência do Senhor vela pela conservação de todos. Seus únicos instintos são os da alimentação e os da reprodução. Não poderíamos compará-los melhor do que a criptógamos carnudos. Poderíeis formar idéia da criação humana, estudando essas larvas informes que vegetam em certas plantas, particularmente nos lírios.”
(págs. 312 / 313)

Vejamos, primeiramente, que, ao contrário do que diz Passini, em "Os Quatro Evangelhos" NÃO se admite a Metempsicose:

“O que vos revelamos não é a metempsicose. O que pomos sob os vossos olhos é a lei natural, é a igualdade, perante Deus, de tudo o que existe, de tudo que vos ferir os sentidos. Deus, pai uniformemente bondoso para todos os seus filhos, não tem preferências. Todas as criaturas são obra sua; nenhuma será deserdada.” (pág. 307)

Depois, observemos o erro crasso de interpretação de Passini ao afirmar que os interlocutores de Roustaing afirmaram que o Espírito pode voltar a um mundo animando corpos como larvas. A questão dos criptógamos carnudos foi utilizada como mero exemplo, apenas a título de comparação! E foi dito claramente que os mundos em foco seriam específicos, não incluindo a Terra, ao contrário do que afirma Passini... [período modificado em 15/07/10]

Autenticidade da Encarnação de Jesus

9. O autor diz: "Kardec mostra Jesus como o modelo mais perfeito para a evolução humana, logo, o seu corpo deveria ter a mesma constituição do corpo daqueles aos quais ele deveria servir de modelo (...)". Essa "lógica" eu não conhecia... Ora, se o estágio objetivado ("modelo mais perfeito") já estivesse incluso no caminho em percurso, ele deixaria de ser um objetivo! [período modificado em 15/07/10] Do mesmo modo, se o corpo de Jesus fosse igual ao nosso, ele deixaria de ser o modelo perfeito... Além disso, os Espíritos referiam-se à modelo moral, não à modelo corporal!

10. Referindo-se a Jesus, Passini diz:
"Roustaing (...) ainda o chama de um Deus milagrosamente encarnado! (1º vol., págs. 242 / 243): “(...) um homem tal como vós quanto ao invólucro corporal e, ao mesmo tempo, quanto ao Espírito, um Deus: portanto, um homem-Deus.” (pág. 242)"

Afirmações inverídicas! O autor, capciosamente, suprimiu o início do trecho por ele transcrito. Vejamo-lo mais completamente (destaque meu):

“Sabeis também e já vos dissemos: Jesus tinha que ser, AOS OLHOS DOS HOMENS: - primeiramente, um homem tal como vós, revestido da libré material humana (...); - depois, cumprida a sua missão terrena, um Deus milagrosamente encarnado, em conseqüência da divulgação do que o anjo revelara a Maria e a José (...); - por último, um homem tal como vós quanto ao invólucro corporal e, ao mesmo tempo, quanto ao Espírito, um Deus: portanto, um Homem-Deus." (pág. 242)

Ou seja, os Espíritos responsáveis por "Os Quatro Evangelhos" referiam-se a como Jesus deveria parecer aos olhos dos homens, não sobre a realidade de sua natureza!

Aparição de Moisés e Elias

11. O autor diz:
"Em Roustaing, de maneira fantasiosa e completamente inverossímil, numa tentativa de desacreditar a reencarnação, misturando fatos e fantasias, é declarado que Moisés, Elias e, conseqüentemente, João Batista são o mesmo Espírito, e que ali, no Monte Tabor, um outro Espírito tomou a aparência de Moisés e conversou com Jesus".

Na realidade, o que é dito em "Os Quatro Evangelhos" é que um outro Espírito tomou a aparência de Elias e conversou com Jesus. Mas tudo bem. Já que o autor arfa o peito a dizer que a afirmação de Roustaing sobre a aparição em foco é "fantasiosa e completamente inverossímil", que ele prove isto, tão íntimo que está com a realidade dos fatos... Uma curiosidade: vejam que, nos comentários 67 e 105 de "Caminho, Verdade e Vida", Emmanuel diz "presença de Moisés e do companheiro" e "Moisés e outro emissário divino". Ora, sendo Elias uma figura bíblica importante, não nos parece natural esta omissão de Emmanuel. Entretanto, ela confirma o que diz Roustaing: Elias e Moisés eram o mesmo Espírito, sendo que no Tabor um outro Espírito tomou a aparência de Elias.

Conclusão

12. "A obra é volumosa, pesada, extremamente repetitiva, escrita em tom catedrático, pretensioso, que nos remete diretamente a “O Livro dos Espíritos”, item 104, no magistral estudo que o Codificador faz a respeito da “Escala Espírita”, quando se refere aos Espíritos pseudo-sábios". Mais difamação gratuita...

12. Uma vez que o autor cita Emmanuel sobre a questão da "vaidade de médiuns invigilantes", atribuindo este caráter à medianeira de "Os Quatro Evangelhos", Mme. Collignon, seria de bom grado que ele consultasse as questões 205 e 285 de "O Consolador", obra psicografada por Francisco C. Xavier, referentes, respectivamente, à questão da "queda" e ao nascimento de Jesus, e soubesse que o abnegado mentor do médium mineiro prefaciou a obra "Vida de Jesus baseada no Espiritismo", de Antônio Lima, publicada pela FEB a partir de sua 2a. edição e que constitui uma vigorosa defesa das teses roustainguistas.

13. Para finalizar, frente ao fecho do texto de Passini ("Felizmente, a onda de roustainguismo está passando. Mas como existem ainda muitos volumes dessa obra em bibliotecas e livrarias, animamo-nos a fazer estas anotações"), nós diríamos o seguinte:

É fato que a onda de anti-roustainguismo continua implacável. Na ausência de coisa melhor a se fazer, aqui e acolá sempre aparecem alguns espíritas arvorando-se “donos da verdade” em questões controvertidas. Gostaríamos que o leitor das linhas acima entendesse que não estamos a endossar a obra “Os Quatro Evangelhos”, mas apenas a evidenciar uma injustiça, pois foi com o único objetivo de que uma análise pontuada de incorreções e de má-fé não permanecesse sem uma réplica que escrevemos nosso texto.