sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre a INTRODUÇÃO À[sic] “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” - Parte 2

Continuando... (Para ler a parte 1 desta análise, clique aqui.)

11) É o que se verifica, por exemplo, com as ligações do Cristianismo e o Espiritismo, que se definem completamente em "O Evangelho", ou com o problema controvertido da origem do homem, que vai ter a sua explicação definitiva em "A Gênese", ou ainda com as questões mediúnicas, solucionadas no "O Livro dos Médiuns", e as teleológicas e escriturísticas, no "O Céu e o Inferno" [Pág. 13]

É, na cabeça de H. Pires, tudo foi resolvido definitivamente com as obras da Codificação que complementam "O Livros dos Espíritos": as ligações entre Cristianismo e Espiritismo, a origem do homem, os fenômenos mediúnicos, as questões teleológicas... Tenha dó!

12) Sócrates ouvias as vozes do seu "daimónion" e discutia com o Oráculo de Delfos. Mas Kardec não se limitou a isso: foi mais longe, dialogando com todo o mundo invisível, analisando rigorosamente as suas vozes (...)
[Pág. 16 - grifos nossos]

Exagerado, esse Herculano Pires...

13) Ao publicar "A Gênese", em 1868, Kardec pode acentuar que "O Livro dos Espíritos", lançado dez anos antes, continuava tão sólido como então
[Pág. 16]

"O Livro dos Espíritos" foi publicado onze anos antes de "A Gênese", não dez.

14) Na verdade, o desenvolvimento da ciência se processa exatamente na direção dos princípios espíritas (...) [Pág. 16]

Ah, é? Não me diga?!...

15) Essa segurança dos princípios espíritas decorre da legitimidade da fonte espiritual deste livro, da pureza de seus meios de transmissão mediúnica, da precisão do método kardeciano [Pág.17]

Desconheço qualquer recurso que possa legitimar a fonte espiritual de "O Livro dos Espíritos". Além disso, o método de Kardec esteve muito longe de ser preciso, conforme teremos oportunidade de evidenciar em textos posteriores, que pretendemos publicar em nosso outro blog.

[16) (...) Não é Kardec, nem este ou aquele Espírito em particular, nem um grupo de homens, mas toda a falange do Espírito da Verdade, enviada à Terra em cumprimento da promessa de Jesus - a fonte espiritual de "O Livro dos Espíritos" [Pág. 17]

Isso é o que diz Herculano Pires. A realidade, porém, pode não ser bem essa...] [Trecho acrescentado em 21/05/10]

17) (...) As sessões mediúnicas não podem fugir ao método kardeciano, que se comprovou na prática, há um século, o único realmente eficiente, e que procede, como vimos, das reuniões mediúnicas da era apostólica [Pág. 18]

Vá ser bitolado assim lá no "cafundó do Judas"...

18) Problemas secundários, como o da assinatura de certas comunicações por nomes célebres, são explicados por Kardec na "Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita" capítulos XI e XII (...) [Pág. 18]

E a explicação é muito "ruinzinha", diga-se de passagem. Trataremos disso em outro post.

19) A explicação está na sinceridade de Kardec e na sua fidelidade aos Espíritos que lhe revelaram a doutrina. Ocultar-lhes os nomes seria deixar uma possibilidade de lhe atribuírem a obra (...) [Pág. 18]

Essa foi a resposta de Herculano Pires à pergunta de por que Kardec não ocultou os nomes que subscrevem os "Prolegômenos", publicando apenas a mensagem, como fez com a maioria das respostas de “O Livro dos Espíritos”. Não irei colocar em xeque a sinceridade de Kardec e sua fidelidade aos Espíritos, mas dizer que se ele tivesse ocultado os nomes as pessoas poderiam achar que a obra era sua é conversa fiadíssima, pois está claramente dito antes do texto principal dos "Prolegômenos": "Eis os termos em que [os Espíritos] nos deram, por escrito e por meio de muitos médiuns, a missão de escrever este livro". Portanto, não precisava citar nomes.

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